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Greenwashing nas indústrias de tabaco é revelado por índice
Indústria do Tabaco e Seus Impactos no País
Nos últimos anos, a indústria do tabaco enfrentou sérias questões devido às consequências negativas do uso de produtos como cigarros. Estudos mostram que esses produtos são responsáveis pela maior parte das mortes evitáveis e pelo aumento de doenças crônicas. Além disso, o fumo causa danos ao meio ambiente, resultando em um grande custo para o sistema de saúde.
Empresas grandes, como a Philip Morris International (PMI), Japan Tobacco International (JTI) e British American Tobacco (BAT), têm feito esforços para mudar a percepção pública. Elas se posicionam como comprometidas com um “futuro sustentável” e para isso costumam ligar suas atividades a causas sociais e ambientais. Esses esforços incluem parcerias com órgãos do governo e colaboração em projetos que visam a proteção ambiental.
Entre 2014 e 2019, a PMI destinou mais de 12 milhões de dólares para iniciativas ambientais globais. No Brasil, a empresa promove anualmente mutirões para recolher bitucas de cigarro em várias cidades, uma ação que ganha destaque nas redes sociais e na mídia. Recentemente, o CEO da companhia elogiou iniciativas locais, como o programa Protetor das Águas, que conta com apoio da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, além do programa Solo Protegido, desenvolvido em conjunto com a Embrapa.
Essas ações ajudam a reforçar a imagem socioambiental das empresas de tabaco, que se conectam com órgãos públicos e a mídia. Um exemplo é o patrocínio da Philip Morris Brasil ao projeto COP30 Amazônia, em parceria com grandes veículos de comunicação. Isso possibilita à empresa promover seus projetos de reflorestamento enquanto melhora sua imagem pública, além de potencialmente aumentar suas vendas.
O Custo da Indústria do Tabaco
É importante ressaltar que, para cada real que a indústria do tabaco arrecada, o país gasta cinco reais com despesas de saúde relacionadas a doenças causadas pelo fumo. De acordo com estimativas, cerca de 174 mil mortes anuais no Brasil estão ligadas ao tabagismo, o que resulta em um custo total para o governo de aproximadamente 153,5 bilhões de reais por ano.
A Controvérsia das Ações Sociais
Embora o Brasil proíba publicamente propagandas de produtos de tabaco, as empresas continuam a realizar atividades de responsabilidade social corporativa. A Organização Mundial da Saúde, através da Convenção-Quadro do Controle do Tabaco, recomenda que esses esforços sejam vistos como marketing e não devem ser divulgados publicamente.
Apesar de parecerem iniciativas positivas, essas ações de responsabilidade social podem ser vistas como uma forma de propaganda. Elas não resolvem os problemas causados pela cadeia produtiva do tabaco, que impacta negativamente o meio ambiente. Por exemplo, estima-se que para cada 300 cigarros, uma árvore é cortada, e a fumaça de tabaco é responsável por 5% do desmatamento global, além da poluição causada pelo descarte de bitucas.
Interferência Política da Indústria
Relatórios recentes, como o Índice Global de Interferência da Indústria do Tabaco, demonstram como as empresas estão influenciando políticas públicas em diferentes países, inclusive no Brasil. O relatório brasileiro, lançado em outubro, aponta que no último ciclo, o país teve um aumento na interferência da indústria nas esferas política, social e econômica.
Desde 2019, o Brasil passou a ter 65 pontos no índice, refletindo um nível elevado de influência. O documento revela que empresas do setor se reuniram com representantes do governo federal diversas vezes, e parlamentares têm defendido interesses da indústria, como a manutenção de dispositivos eletrônicos de fumar e a redução de impostos no setor.
Boas Práticas e Desafios
Apesar do cenário complicado, o Brasil apresenta algumas boas práticas para lidar com a influência do setor. Existem leis e mecanismos que visam proteger as políticas de saúde pública dos interesses da indústria do tabaco. No entanto, ainda existem lacunas que precisam ser abordadas.
É crucial que o governo implemente plenamente medidas de transparência e adote políticas fiscais que restrinjam o consumo de produtos de tabaco. Somente assim será possível reduzir as desigualdades sociais e os danos ambientais e à saúde que essa indústria causa.
Essa realidade exige um esforço conjunto para enfrentar os desafios impostos pela presença da indústria do tabaco no país e salvaguardar a saúde pública e o meio ambiente.