Um estudo publicado na revista científica The BMJ indica que medicamentos como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound podem ajudar a reduzir o risco de dependência química. Conhecidos pelo tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, esses remédios da classe GLP-1 podem oferecer benefícios além do controle da glicose e da perda de peso.
A pesquisa analisou dados de mais de 600 mil pessoas nos Estados Unidos diagnosticadas com diabetes tipo 2. Os pesquisadores compararam pacientes que usavam medicamentos GLP-1 com outros que recebiam tratamentos diferentes para a doença.
Durante três anos de acompanhamento, os usuários dos medicamentos GLP-1 apresentaram menor probabilidade de desenvolver transtornos relacionados ao consumo de álcool, nicotina, opioides, cocaína e cannabis. O epidemiologista Ziyad Al-Aly, responsável pelo estudo, destacou que esse tipo de abrangência é incomum na medicina. “Na medicina das dependências, não existe um único medicamento que funcione para todas essas substâncias”, afirmou.
Os efeitos positivos também foram observados entre pacientes que já conviviam com transtornos relacionados ao uso de substâncias. Nesses casos, os medicamentos foram associados à redução de atendimentos de emergência, internações hospitalares, overdoses e mortes relacionadas ao vício. Os pesquisadores também identificaram uma diminuição nos registros de pensamentos suicidas e tentativas de suicídio entre os usuários.
Os cientistas acreditam que a explicação está na forma como os medicamentos atuam no cérebro. Embora tenham sido desenvolvidos para controlar a glicemia e o apetite, eles também influenciam áreas cerebrais ligadas à recompensa, ao prazer e à motivação. Essas regiões têm papel central nos mecanismos responsáveis pelo desejo intenso por substâncias químicas, o que pode explicar a redução observada nos comportamentos associados à dependência.
Os especialistas ressaltam que mais estudos são necessários para confirmar a relação de causa e efeito e avaliar se esses medicamentos poderão ser usados futuramente no tratamento de transtornos por uso de substâncias. Apesar disso, a pesquisa abre uma nova frente de investigação para medicamentos que já revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes.
