A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão de dez marcas de café após identificar fraudes econômicas e riscos sanitários graves. As inspeções revelaram presença de toxinas fúngicas perigosas e fragmentos de vidro misturados ao pó comercializado em grandes redes varejistas do país.
As marcas Melissa, Pingo Preto e Oficial foram as primeiras a sofrer sanções por venderem subprodutos vegetais como café legítimo. A Anvisa classificou esses itens como impróprios para consumo humano devido à presença confirmada de ocratoxina A em análises laboratoriais.
O Café Câmara também entrou na lista de apreensão após o Lacen/RJ identificar fragmentos físicos semelhantes a vidro em seus lotes. A agência agiu para evitar que consumidores sofressem lesões internas causadas pela ingestão desses materiais cortantes.
A ingestão de ocratoxina A, encontrada em cafés feitos com restos de lavoura, está ligada ao desenvolvimento de doenças renais crônicas. A substância é considerada um possível cancerígeno humano pela IARC, exigindo vigilância sobre os processos de secagem e armazenamento dos grãos.
A Anvisa ordenou o recolhimento do Café Câmara não apenas pelos resíduos físicos, mas também por irregularidades documentais. A Abic confirmou que a empresa utilizava selos de pureza falsificados, enganando o consumidor que buscava um produto de qualidade.
A origem desconhecida do produto impedia a fiscalização de garantir o cumprimento das normas de higiene durante a torra e moagem. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a produção clandestina ignora protocolos de segurança, resultando em misturas que utilizam até lixo da lavoura para baratear custos.
Como identificar se o café comprado é seguro
O consumidor deve verificar no rótulo se a marca possui registro ativo no portal do Governo Federal. Marcas que prometem benefícios milagrosos, como controle de insulina ou colesterol, geralmente estão em desacordo com a RDC nº 727/2022 da Anvisa e devem ser evitadas.
Caso identifique as marcas citadas em exposição, o cidadão deve formalizar uma denúncia pelo telefone 0800 642 9782. A Anvisa depende desse monitoramento para localizar lotes que ainda não foram recolhidos ou que continuam sendo vendidos irregularmente.
As empresas responsáveis pelas fraudes podem responder criminalmente por danos à saúde pública e falsificação de documentos oficiais. O rigor na aplicação das Resoluções-RE nº 3.689 e 3.690 demonstra o compromisso das autoridades em limpar o mercado de alimentos de práticas desonestas.
