A vacinação é uma das medidas de saúde pública que mais contribuíram para a redução de doenças infecciosas no mundo. Ainda assim, dúvidas sobre a segurança dos imunizantes, possíveis reações adversas e a necessidade de determinadas doses continuam influenciando a decisão de muitas pessoas de se vacinar ou de manter o calendário vacinal em dia.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente um dos calendários de vacinação mais completos do mundo. Segundo o Ministério da Saúde, são 21 vacinas disponíveis na rotina de atendimento, contemplando diferentes fases da vida e protegendo contra doenças como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, hepatite B, coqueluche e infecções pelo vírus sincicial respiratório.
Mesmo com ampla disponibilidade de imunizantes, a cobertura vacinal ainda apresenta desafios. Dados do Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e parceria do Unicef, indicam que as taxas de vacinação infantil registram uma tendência de queda desde 2015, com agravamento em algumas vacinas nos últimos anos.
O cenário não é exclusivo do Brasil. Informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef em 2025 mostram que quase 20 milhões de crianças deixaram de receber pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) em 2024. Entre elas, 14,3 milhões não receberam qualquer imunizante.
Parte dessa realidade está relacionada à dificuldade de encontrar informações claras e confiáveis. Perguntas sobre a possibilidade de vacinar uma criança resfriada, a segurança de receber mais de uma vacina no mesmo dia ou quais sintomas podem surgir após a aplicação são frequentes entre pais e responsáveis. Sem o esclarecimento adequado, é comum que a vacinação seja adiada.
A internet costuma ser a primeira fonte de consulta para entender sintomas, medicamentos e vacinas. No entanto, o ambiente digital também concentra informações sem embasamento científico, relatos isolados e conteúdos que podem gerar interpretações equivocadas. Em muitos casos, reações leves e esperadas após a vacinação acabam sendo percebidas como eventos graves, aumentando a insegurança.
Para facilitar o acesso a informações qualificadas, algumas empresas disponibilizam plataformas digitais voltadas à consulta em saúde. A EMS, por exemplo, desenvolveu a Sara, um bulário digital gratuito que reúne conteúdos sobre medicamentos e vacinas. A ferramenta disponibiliza informações sobre indicações, contraindicações, composição, armazenamento e possíveis reações adversas, sempre como complemento à orientação de profissionais de saúde.
A necessidade de informação também se estende além da infância. Adultos, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou condições que afetam o sistema imunológico frequentemente precisam seguir esquemas vacinais específicos e receber doses de reforço em momentos determinados. Nesses casos, a orientação profissional é fundamental para definir as recomendações mais adequadas a cada situação.
A manutenção de altas coberturas vacinais é um dos principais fatores para evitar a circulação de doenças preveníveis. Quando a adesão à vacinação diminui, aumenta o risco de reintrodução de enfermidades altamente transmissíveis, como o sarampo, além de comprometer a proteção de pessoas que não podem ser imunizadas por indicação médica.
Em um cenário marcado pela grande circulação de informações e pela facilidade de acesso a conteúdos de diferentes origens, a qualidade da informação em saúde se tornou um elemento essencial para fortalecer a confiança nas vacinas. Buscar fontes confiáveis e esclarecer dúvidas com profissionais capacitados são medidas que ajudam a combater a desinformação e favorecem decisões mais seguras sobre a imunização.

